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  • 4 de junho de 2024
    Insights
    Defesa e segurança pautam as discussões às vésperas da eleição para o Parlamento Europeu

    Defesa e segurança pautam as discussões às vésperas da eleição para o Parlamento Europeu

    PALAVRAS-CHAVE Conselho Europeu, Defesa e Segurança, Eleições, Europa, Extrema-direita, Grupo Político Europeu, Grupos Políticos Europeus, Parlamento Europeu, União Europeia, Ursula von der Leyen
    Filipe Prado Macedo da Silva

    Nos próximos dias, milhões de europeus vão às urnas eleger os novos 720 eurodeputados para o Parlamento Europeu. A eleição europeia chama a atenção do mundo, ao lado da eleição dos EUA, em razão da importância crescente da União Europeia no campo político, econômico, ambiental e diplomático dos assuntos internacionais.

    Na Europa, a eleição do novo Parlamento Europeu impactará a vida e os negócios de 450 milhões de cidadãos e as políticas públicas dos 27 países-membros da União Europeia. É importante destacar que o legislativo europeu tem o papel e a autoridade de debater e aprovar regulamentos e decisões – que são diretamente aplicáveis em todos os países-membros – e diretivas – que devem ser adicionadas à legislação nacional dos países-membros.

    Por exemplo, mais recentemente, o Parlamento Europeu aprovou uma reforma histórica dos regulamentos em matéria de migração e asilo, obrigando muito em breve todos os 27 países-membros a aplicarem os novos procedimentos de partilha da União Europeia. Isto terá um impacto real na dinâmica social e no mercado de trabalho de vários países-membros.

    No regime parlamentarista europeu, o grupo político supranacional que conquista – tanto a maioria absoluta quanto a maioria relativa (formando uma coalização) – o maior número de assentos no Parlamento Europeu, tem a prerrogativa de indicar o Presidente da Comissão Europeia pelos próximos cinco anos.

    Assim, ficou definido em 2023, que cada grupo político europeu designa o seu “candidato cabeça de lista”, permitindo que os eleitores conheçam ao longo da campanha eleitoral os candidatos ao cargo de chefe do executivo da União Europeia. Antes destas eleições, era o Conselho Europeu que indicava o candidato ao Parlamento Europeu.

    Neste sentido, os sete grupos políticos do Parlamento Europeu realizaram convenções e anunciaram (ou não) seus principais candidatos de 2024:

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    As últimas projeções da Euronews Superpoll apontam um favoritismo do PPE e uma possibilidade de reeleição, com maioria relativa, de von der Leyen. O problema é que sua reeleição representa, ao mesmo tempo, uma continuidade dos democratas europeístas e um risco de aliança com os eurocéticos de extrema-direita.

    Na mesma pesquisa, a primeira gestão de von der Leyen, de 2019-2024, é considerada razoável, com 37% de positivo, 31% de negativo e 32% de não sabem/não opinaram (resultados de março de 2024).

    Vale recordar que a gestão dela enfrentou a pandemia da covid-19, a crise energética do gás russo e, ainda enfrenta, os efeitos negativos da guerra na Ucrânia e uma onda generalizada de inflação nas economias europeias.

    O debate Eurovision

    No dia 23 de maio, aconteceu no hemiciclo do Parlamento Europeu, em Bruxelas, o último debate entre os principais candidatos à Comissão Europeia.

    Com organização da União Europeia de Radiodifusão, em colaboração com o Parlamento Europeu e os partidos políticos, o Eurovision Debate 2024 reuniu cinco candidatos, dos grupos políticos que anunciaram seus candidatos principais, a saber: von der Leyen (PPE), Schmidt (S&D), Gozi (Renew), Reintke (Verdes) e Baier (Esquerda).

    O debate, que teve forte interação com eleitores jovens, foi dividido em seis temáticas: economia e trabalho, defesa e segurança, clima e meio ambiente, democracia e liderança, migração e fronteiras, e inovação e tecnologia. E as intervenções dos candidatos foram mais intensas no tópico sobre defesa e segurança, seguida de preocupações na democracia e liderança. Isto surpreendeu, já que temas considerados urgentes nas agendas internacionais, como as mudanças climáticas ou a regulação da Inteligência Artificial, passaram à margem de discussões mais propositivas.

    Em termos concretos, estes sinais de fortes preocupações com defesa e segurança ocorrem porque os cidadãos e as instituições europeias convivem, nos últimos dois anos, com as angústias e os medos da invasão russa na Ucrânia.

    Apesar da guerra ainda estar nas bordas da União Europeia, eleitores de 13 países-membros apontam a guerra como sua principal preocupação, já que a escalada bélica põe em perigo a paz e as instituições na Europa.

    Foi neste contexto que os candidatos debateram sobre um cenário de incertezas geopolíticas que não acontecia desde o pós-Segunda Guerra Mundial.

    Com exceção de Baier, todos os demais candidatos defenderam, com poucas diferenças, que a União Europeia tome para si o protagonismo de organizar, financiar e integrar os mais diferentes projetos de defesa e segurança dos países-membros. Logo, o debate não foi apenas na direção do diálogo e da negociação com Putin, mas de uma preparação para a guerra.

    Neste sentido, um ponto-chave foi o financiamento militar na União Europeia. No ano passado, os gastos militares na Europa foram os mais elevados desde o final da Guerra Fria, no início dos anos 1990. E, tudo indica, que a disputa eleitoral por mais financiamento em projetos de defesa e segurança é uma prioridade para políticos e eleitores. Um fundo comum europeu para defesa e segurança parece inevitável na próxima legislatura.

    Além disso, o debate revelou que pode existir, nos próximos anos, uma pressão para que o Conselho Europeu e o Parlamento Europeu discutam avanços na integração das forças militares dos países-membros, resultado em um “exército europeu”. Por exemplo, von der Leyen defendeu no debate o avanço do projeto de um “escudo de defesa aérea” para toda a Europa.

    Isto revela também a preocupação dos políticos europeístas com a autossuficiência da defesa e segurança do continente, reduzindo assim a enorme dependência militar das forças dos EUA no âmbito da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

    Por fim, continuar ajudando a Ucrânia é outro ponto-chave na atual manutenção da paz e segurança na Europa. A preocupação dos candidatos é que Putin vença na Ucrânia e, em seguida, avance sobre outros países do Leste Europeu que fazem parte da União Europeia e da Otan.

    A extrema-direita em nível europeu: riscos à segurança interna

    No debate sobre democracia e liderança, todos os candidatos mostraram apreensões em relação aos recentes ataques ao Estado Democrático de Direito e ao avanço da extrema-direita em nível europeu.

    As últimas pesquisas mostram um avanço do ECR e ID e um encolhimento histórico dos assentos da esquerda e dos verdes. As mesmas projeções revelam que a extrema-direita pode, pela primeira vez, ser a terceira força política do Parlamento Europeu, atrás apenas do PPE (democratas-cristãos) e do S&D (sociais-democratas).

    Em nível europeu, o que está em jogo com o avanço da extrema-direita é o próprio projeto da União Europeia, já que o euroceticismo é a marca destes movimentos nacionalistas.

    Além disso, crescem os ataques aos direitos nacionais e europeus naqueles países-membros governados pela extrema-direita. O caso mais emblemático é da Hungria de Viktor Orbán. Porém, os mesmos riscos democráticos começam a dar sinais na Itália de Giorgia Meloni.

    Em suma, a eleição europeia será mais do que nunca determinante para manter o “sonho europeu de paz e solidariedade” presente na Declaração de Robert Schuman, que rege os princípios da União Europeia.

    Este texto foi originalmente publicado no The Conversation Brasil.

    Este texto está sob uma licença Creative Commons Atribuição-SemDerivações 4.0 Internacional. É permitida
    a reprodução total ou parcial do conteúdo sempre que a fonte original for citada.


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